segunda-feira, 17 de maio de 2010

REEDITANDO O BLOG "O PÂNICO NA MINHA VIDA"

Quando criança,muita coisa me assustava.Na época do Carnaval,os garotos usavam latas de óleo de soja nas bicicletas que fazia um barulho assustador,para mim.Os carros, ganhavam pinturas de caretas,monstros e também faziam um barulho horroroso.Os adultos, vestiam-se com sacos brancos ou coloridos que chamavam de "mortalha", e corriam atrás de crianças ou outras pessoas para atirar "Maizena",água,qualquer coisa que sujasse.Elas bebiam muito e isso me deixava ainda mais assustada.
Eu, grudava nas pernas do meu pai ou da minha mãe e invariavelmente levava palmadas,nas pernas e broncas.Lembro de ouvir sempre alguém comentar: ESSA MENINA É FRESCA E CHATA AS IRMÃS NÃO TÊM NADA DISSO"!Portanto, quando eu entendia que eles não me protegiam, corria para debaixo da minha cama.Passava horas lá, minha cama virou o meu "porto seguro".Eu não entendia porque eles não me protegiam, pois para mim pai e mãe servem para isso...Eu sentia-me frustrada,culpada por decepcionar à eles!Tinha raiva de mim, por verem que eles ficavam desapontados comigo.Chorei muitas vezes por causa disso...Aliás, eu era chamada de "a chorosa, a fresca"...Pois era muito sensível e tudo mexia comigo e eu caia no choro.Por vergonha,culpa,raiva,frustração.Ou, apenas porque queria um pouco de atenção.Acordava muito no meio da noite também, chorando ou gritando.Tinha pesadelos,sonhos com frequência e alguns deles acabavam acontecendo.Então, eu era a estranha da casa.
Mudamos para um outro bairro e o meu pai,comprara um fusca azul-piscina.Eu adorava andar no banco da frente.Mesmo crescida, queria o colo da minha mãe.Em minha mente, eu imaginava que se algo de ruim acontecesse, eu morreria junto com ela;ou então como estava pertinho da janela,eu poderia sair com mais facilidade do que se estivesse no banco de trás.Ninguém entendia,as minhas irmãs brigavam comigo,mas eu tinha vergonha de dizer das minhas razões.Só ouvia me chamarem de :EGOÍSTA,CHATA!
Hoje, graças à DEUS tenho automóvel mas antes eu sempre preferi vir no banco da frente em táxis,ou mesmo quase em cima do motorista de ônibus,apenas para preservar-me perto da porta ou da janela.Preciso sentir o vento no meu rosto,não gosto de abafamento.E quando isso não era possível, cansei de descer no meio do trajeto entre a universidade e a minha casa.Passava mal,sentia-me sem ar,literalmente.E fora a vergonha,o constrangimento de ver as pessoas me olhando com cara de espanto!Eu ia, ao médico e depois das crises tudo voltava ao normal e eu nada tinha.Meu pai me levou em várias benzedeiras...E eu, me questionava: será que é coisa da minha cabeça, que invento isso, que é mesmo frescura???
Até que a minha mãe ,levou-me ao clínico e ele receitou TRIPTANOL
Lembro que foi esta a minha primeira droga.O remédio me deixava zonzo,meio grogue,bêbada.Mas eu passei a dormir melhor e as crises de sufocamento diminuíram.
Lembro que da parte do meu pai, tive dois tios malucos:Um juntava pedaços de madeira e fazia brinquedos para crianças.Eu adorava ir na casa dele,pois ele era engraçado.Eu tinha um certo medo dele,pois ouvia todos falarem por trás que ele era maluco;mas eu não entendia como ele podia ser maluco e bom ao mesmo tempo com as crianças?O outro tio, tinha mania de viver rezando.Parecia um beato,mas tinha gênio ruim!Era todo reservado,mal falava conosco...Esse ainda é vivo e anda pelas ruas de Aracaju, rezando.O outro, foi assassinado pois tinha fama de nervoso também.Da parte da minha mãe, eu tenho duas tias também que costumam se isolar do mundo...Se chega alguém na casa delas,elas nem sempre atendem.Hoje eu sei , que isso é doença;mas quando criança não entendia porque as minhas tias nos convidava para frequentar a casa delas e depois,não atendiam a porta...
PS* ESSA FOI A MINHA PRIMEIRA POSTAGEM ,NO ANTIGO BLOG.FOI O COMEÇO DE TUDO.
ROSE, 20/09/2008

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